Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhar

Eu não sei se hoje acordei ou se apenas parei de sonhar. Há uma diferença? Seria a vida um sonho lúcido? Então por que eu não acordo dele?

Me busco no meu grande vazio.

Sinto um conforto na dor, no sofrimento, na melancolia de existir. Disseram-me que isso é perigoso. Mas acontece que por eu sofrer, eu me aprofundei pelo coração dentro do coração.

Dentro de mim, a voz que fala não tem boca. Ela é feita de vento e um pouco de medo. E eu – quem sou? Sou uma mulher que observa a mulher que sou.

Quando escrevo as palavras no papel, sinto que o gesto é maior que a escrita. É um aviso: Estou viva. Eu acumulo, acumulo, acumulo, até que não cabe em mim e estouro em palavras.

As vezes penso que o corpo é só um disfarce para a alma não passar vergonha. Outras vezes, acho que a alma é que inventou o corpo para ter a quem culpar.

Hoje, o sol entrou pela janela sem pedir licença.  Fiquei ofendida. Quem ele pensa que é para iluminar tudo assim, tão sem pudor? Mas depois percebi que o sol não sabe o que faz. Nem eu.

Há uma solidão que é companhia. E há uma companhia que é solidão. Talvez o erro esteja em nomear as coisas. As coisas não gostam de nomes, preferem ser sentidas.

Se eu pudesse, arrancaria todos os relógios do mundo. Não para parar o tempo, mas para que ninguém percebesse que ele existe.

Penso no amor como se fosse um copo d’água: às vezes transborda, às vezes evapora. O que me assusta não é o vazio, mas a lembrança de quando esteve cheio.

E se eu nunca for quem espero ser?

E se a espera for, na verdade, o que me mantém?

Talvez… talvez eu seja só uma página em branco, que acredita ser livro.

Hoje, acordei com um peso que não era tristeza. Era só existir demais.

O café esfriou antes que eu tomasse o primeiro gole. Talvez porque, no fundo, eu não quisesse café, mas sim um instante para adiar o dia.

Olhei para minhas mãos e percebi que elas estavam quietas demais. Mãos paradas parecem pensar mais que o resto do corpo.

Há lembranças que se agarram à pele como se fossem tatuagens invisíveis. Por mais que eu lave, não saem. Talvez nem sejam lembranças, mas avisos.

O tempo não é um rio. É um espelho que se quebra toda vez que tento olhar.

Hoje, a rua estava cheia de gente, mas todas as pessoas me pareciam um pouco vazias. Ou talvez eu tenha projetado o meu próprio vazio nelas — o que é pior, porque torna impossível fugir.

Às vezes, penso que o amor é só um intervalo bonito entre dois silêncios.

E às vezes, penso que eu inventei essa frase só para não admitir que tenho medo do próximo silêncio.

Ser é um verbo que não se conjuga sozinho. Mas eu continuo tentando.

E agora, escrevendo, percebo: talvez eu não queira entender nada. Porque entender é matar a pergunta. E eu gosto de perguntas vivas.

Ana Luaris. 2025

Conectando você às notícias de Ponta Porã.

Institucional

PPNews © 2025. Todos os direitos reservados.